Fintech simplifica e acelera empréstimo

Fonte – Valor Econômico: https://www.valor.com.br/financas/5698543/fintech-simplifica-e-acelera-emprestimo
Por Katia Simões | Para o Valor, de São Paulo

Integrante de um grupo de empreendedores que desperta cada vez mais atenção no mercado, o dos multifranqueados, José Henrique Souza sempre buscou apoio de investidores ou linhas de crédito de bancos para expandir suas unidades. Dono de 13 franquias das redes Adidas, KFC e Subway, resolveu arriscar. Em outubro de 2017 recorreu a uma fintech em busca de crédito. “Eu queria ver como o sistema funcionava e se valia a pena, como diziam”, afirma. “Entre a primeira conversa e o dinheiro cair na conta foram 45 dias.” Num banco tradicional, segundo ele, a mesma negociação levaria mais de um ano.

 

Souza tomou um crédito no valor de R$ 212 mil, o equivalente a 20% do que precisava, para pagamento em 24 meses, com taxas abaixo de 2%, junto à Kavod Lending. A fintech criada no fim de 2016 e acelerada pelo programa Startup Farm, fez sua primeira operação em 2017. Foi um empréstimo no valor de R$ 100 mil, para um franqueado da rede Sterna Café. “Em um ano movimentamos cerca de R$ 3 milhões, para sete empresas, seis delas franquias”, conta o fundador Fábio Neufeld. “A meta é fechar 2018 com R$ 10 milhões transacionados, especialmente no franchising, com taxas de financiamento a partir de 1,10% ao mês”.

O desafio desse mercado, na visão de Neufeld, está ligado à falta de conhecimento das micro e pequenas empresas sobre a atuação das fintechs. “Apesar de precisar do crédito de forma mais rápida e menos burocratizada, o empresário tem receio em abrir informações do negócio”, diz. “Informações básicas de quanto faturam, quanto devem, quanto têm a receber e qual é o lucro real são essenciais e facilitam a concessão do crédito de forma rápida, a taxas mais baixas.”

A Kavod é uma entre dezenas de fintechs de crédito em operação no país. Mas, de acordo com Rodrigo Soeiro, presidente da ABFintechs, elas representam perto de 25% das 10 mil startups do país. São 246 inscritas na Associação Brasileira de Startups. “Não sabemos dizer com precisão quantas têm foco nas micro, pequenas e médias empresas, mas é certo que esse mercado tem sido analisado com muita atenção, porque oferece grandes oportunidades”, diz ele.

De acordo com o Radar Fintech Lab, em julho de 2017 havia mais de 30 fintechs de crédito na atividade em todo o país, que cobravam taxas de juros em média de 1,6% ao mês, contra os 4,5% mensais oferecidos pelos bancos – segundo levantamento do Banco Central e do Sebrae. O peso das fintechs no mercado, porém, ainda é pequeno. Segundo o Banco Central, respondem apenas por 0,3% do estoque de empréstimos concedidos no país, que somava R$ 3,107 trilhões em maio de 2018. Seja qual for o peso, tomar crédito com essas startups traz vantagens para os micro, pequenos e médios empreendedores.

“Além de taxas de juros mais baixas, as fintechs oferecem capital de giro acessível, análise de crédito mais ágil e personalizada e operações 100% on-line”, diz Marcio Kogut, líder do Kogut Lab, especializado em inovação corporativa e fintechs. “Em 2017, a análise preditiva de risco era feita em até cinco dias”, diz. “Hoje, há quem libere o crédito em duas horas.”

Para Kogut, a aprovação em abril, pelo Conselho Monetário Internacional, de uma resolução que permite às startups do setor financeiro conceder crédito sem a intermediação de um banco, contribuiu muito para o crescimento das fintechs. “Com as novas regras, as fintechs passaram a operar sob o regime do Banco Central (regulação 4.656/18), o que garante maior segurança tanto para os empresários, quanto para os clientes que realizam as operações”, diz.

A opinião é compartilhada por Daniel Orlean, sócio-fundador da BizCapital, há dois anos no mercado e investida pelo fundo Monaxis. “A regulamentação acaba gerando maior confiança para o tomador de crédito”, afirma. “Mesmo assim, nosso maior desafio ainda é formar uma relação de parceria com os pequenos empreendedores.”

Com foco em PMEs com faturamento de até R$ 10 milhões por ano, a BizCapital movimentou entre janeiro de 2017 e junho deste ano R$ 40 milhões em empréstimos, com tíquete médio de R$ 30 mil por operação e taxas que variam de 1,99% a 5,49% ao mês. A meta é fechar o ano com R$ 80 milhões às PMEs.

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